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Edgard
Leuenroth
O Fundador
Faibra –
Federação das Associações de Imprensa do Brasil foi fundada em 1939
pelo jornalista Edgard Leuenroth, que também fundou anos antes, em
1933, a Associação Paulista de Imprensa.
Edgard
Leuenroth (1881 - 1968)

Percebendo a
importância da conscientização dos trabalhadores e das associações
de classes, Edgard Leuenroth fundou, na condição de operário e
jornalista, várias associações sindicais, entre elas: o Centro
Typográphico de São Paulo (1903), posteriormente
União dos Trabalhadores Gráficos (1904 e 1919); Associação Paulista
de Imprensa (1933); Sindicato dos Jornalistas Profissionais do
Estado de São Paulo (1937); Associação Paulista de Propaganda
(1937); Federação das Associações de Imprensa do Brasil (1939).
Participou ainda da União dos Trabalhadores Graphicos, RJ (1907);
União Graphica, SP (1912); Syndicato Graphico do Brasil, SP (1916);
Associação Brasileira de Imprensa, RJ (1920) e Cooperativa Gráfica.
Toda a
imprensa o considera um sonhador, um utopista, desses que põem toda
a sua alma na propaganda das idéias que um dia irão dominar o mundo
inteiro. (O Estado de São Paulo, 9 de janeiro de 1918).
Nascido em
1881, na cidade de
Mogi-Mirim, Edgard Frederico Leuenroth era filho de
Waldemar Eugenio Leuenroth(1)
e de
Amélia de Oliveira Brito Leuenroth(2).
Quando contava com cinco anos de idade mudou-se para São Paulo, em
companhia da mãe, à época viúva, e dos irmãos. Aos 10 anos de idade,
Edgard Leuenroth abandonou os estudos e empregou-se como
menino de escritório para limpeza e recados.
Posteriormente, foi trabalhar como caixeiro em uma loja de fazenda.
Seu primeiro emprego como tipógrafo foi nas
Oficinas da Companhia Industrial, onde aprendeu o ofício. No ano
de 1897, ingressou nos quadros do jornal
O Commercio de São Paulo, onde exerceu a função de tipógrafo por
doze anos. Em 1897, ao lado de Cruz, fundou um jornal crítico e
literário, de periodicidade quinzenal, denominado O Boi. O título do
periódico seria obra ao acaso, vez que ao comprar a velha tipografia
viera junto com os materiais um clichê com os dizeres O Boi. Este
jornal, publicado até 1898, deu origem à
Folha do Braz, em 1899, órgão defensor dos direitos dos
moradores daquele bairro. Colaborou nesta Folha até 1901 e no O
Alfa, de Rio Claro, no ano de 1903.
Interessou-se
pelo socialismo pelos idos de 1903 e começou a freqüentar as
reuniões do Círculo Socialista. No ano seguinte o poeta Ricardo
Gonçalves atrairia-o para o movimento anarquista, do qual jamais se
afastaria. Percebendo a importância da conscientização e da
associação de classe, fundou, na condição de operário tipógrafo,
o Centro Typográphico de São Paulo. No ano seguinte, já em plena
militância anarquista, participou da transformação deste Centro em
União dos Trabalhadores Gráficos, posteriormente Sindicato dos
Gráficos, ocasião em que fundou e colaborou com o jornal O
Trabalhador Gráfico.
Mudou-se para
a cidade do Rio de Janeiro em 1905. Nesta cidade, trabalhou como
tipógrafo no jornal Imprensa e no periódico português Portugal
Moderno. Neste mesmo ano, em São Paulo, colaborou com o jornal
libertário
A Terra Livre, ocasião em que conheceu o anarquista português
Neno Vasco (Dr. Gregório Nanzianzeno Queiroz de Vasconcellos), que o
ajudou a melhorar seus conhecimentos de língua portuguesa e a
aprofundar questões sobre o socialismo. No ano de 1906, participou
do Primeiro Congresso Operário Brasileiro, cuja principal
reivindicação era a jornada diária de oito horas de trabalho. Foi
ainda redator do jornal A Lucta Proletária, órgão da Federação
Operária de São Paulo, importante periódico para a deflagração da
greve da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
No ano de
1908, Edgard Leuenroth fundou e dirigiu a
Folha do Povo. No ano seguinte, assumiu a direção do jornal
liberal e anticlerical
A Lanterna, fundado pelo Dr. Benjamin Motta no ano de 1901(3).
À frente deste periódico, Leuenroth e outros jornalistas libertários
denunciaram, no ano de 1912, os crimes supostamente cometidos pelo
padre Faustino Consoni – violação sexual, de uma criança recém
chegada ao Orfanato São Cristóvão, seguido de morte. O caso ficou
conhecido como O Caso Idalina(4).
Em uma das manifestações populares convocada pelos anarquistas
contra a Igreja Católica, Leuenroth foi preso e logo liberto pelo
escritor e advogado Evaristo de Morais, profissional que sempre se
posicionou ao lado da causa operária. Há registro de que à época
Leuenroth encontrava-se
casado e com quatro filhos(5).
Ainda neste
ano, fundou e dirigiu o jornal A Guerra Social. No ano de 1913
participou, como representante do jornal A Lanterna, do Segundo
Congresso Operário Brasileiro, realizado no Rio de Janeiro. Seu
irmão, João Leuenroth, então morador daquela localidade, participou
como tesoureiro da Comissão Executiva da Confederação Operária
Brasileira.
No ano de 1915 o periódico A Lanterna deixa de ser
publicado. Leuenroth passou a colaborar ativamente com o jornal O
Combate e no ano seguinte, empregou-se também na redação do A
Capital. Quase dois anos depois, saiu deste jornal e fundou
A Plebe. Neste ínterim, foi redator-secretário da revista
Eclectica, em São Paulo.
Pelas colunas
do semanário A Plebe podemos dizer que Leuenroth teve participação
efetiva na
Greve Geral de 1917. Foi nesse ano que os movimentos
grevistas operários paulistanos chegaram a seu clímax. Sucederam-se
greves parciais por aumento de salários, com comícios e piquetes. Em
9 de julho, numa carga de cavalaria contra os operários, é morto
pela polícia o jovem anarquista José Martinez. No dia seguinte, às
sete horas da manhã, verdadeira multidão acompanhou o enterro, do
Brás até o cemitério do Araçá, passando pelo centro da cidade. Os
tecelões do Cotonifício Crespi, na Mooca, dão início ao surto
grevista, que iria se alastrar por outras fábricas e outros bairros.
No dia 12, há mais de 70 mil trabalhadores em greve. Ocorrem saques
a armazéns. Bondes e outros veículos são incendiados. Dirige a luta
o Comitê de Defesa Proletária, a cuja frente está Edgard Leuenroth(6).
Considerado mentor psico-intelectual do movimento grevista, foi
novamente preso. Seu processo foi diversas vezes adiado e isso
arrancou ardorosos protestos da imprensa anarquista, que denunciava
os atrasos e a má vontade do governo com o caso Leuenroth.
Leuenroth ainda encontrava-se na prisão, no início de
1918, quando seus amigos cogitaram lançar sua candidatura para
deputado. Da cadeia pública de São Paulo escreveu um artigo
agradecendo a deferência, e mesmo considerando a candidatura como
protesto, não poderia aceitá-la, pois permaneceria fiel a seus
ideais anarquistas e não compactuaria com o Estado nem para fazer
protesto. Ainda neste ano, Leuenroth, liberto, participou do I
Congresso Brasileiro de Jornalistas no Rio de Janeiro.
Após a Revolução ocorrida na Rússia em 1917, os
socialistas e anarquistas brasileiros foram tomados de intenso
entusiasmo. Havia uma certa expectativa que outras revoluções
sociais ocorressem em diversos países, inclusive no Brasil.
Objetivando preparar esta revolução, foi fundado, em 9 de março de
1919, no Rio de Janeiro, o Partido Comunista do Rio de Janeiro
(libertário), que agregava anarquistas, socialistas e todos aqueles
que aceitassem o comunismo social. Este partido foi o responsável
pela organização do comício monstro no 1º de maio daquele ano.
Em São Paulo, o Partido Comunista do Rio de Janeiro fez-se
presente nas comemorações do Dia do Trabalho, representado por
Manuel Campos, delegado do Partido Comunista do Brasil. Discursaram
ainda Florentino Carvalho, Antonio Candeias Duarte (Hélio Negro) e
Edgard Leuenroth. Neste mesmo mês Edgard Leuenroth e Hélio Negro
redigiram às pressas um pequeno livreto O Que é Maximismo ou
Bolchevismo: programa comunista.
Em 16 de junho
foi criado o Partido Comunista de São Paulo, numa reunião na sede de
A Internacional. Foi convocada então a Primeira Conferência
Comunista do Brasil, que realizou-se no Rio de Janeiro, de 21 a 23
de junho de 1919, inicialmente no Centro Cosmopolita,
posteriormente, em Niterói, já que a polícia impediu a realização do
evento naquele local. Na conferência foram distribuídos o programa,
organizado por José Oiticica e o livreto de Leuenroth e Hélio Negro.
O núcleo paulista do Partido Comunista ficaria encarregado de
elaborar o programa do partido. Houve algumas sessões noticiadas por
A Plebe e em agosto saiu neste mesmo jornal a publicação do projeto
de programa do núcleo de São Paulo. O jornal oficial do partido
seria fundado pouco depois, o Spartacus, contando com a participação
de Edgard Leuenroth, José Oiticica, Octávio Brandão e Astrojildo
Pereira(7).
Nas primeiras
décadas do século XX, as idéias anarquistas eram bem aceitas no
movimento operário, principalmente entre os trabalhadores de origem
estrangeira. Leuenroth, um de seus principais líderes, participava
ativamente escrevendo artigos de apoio aos movimentos grevistas,
fazendo discursos inflamados e, muitas vezes, liderando protestos. O
movimento grevista que estourou em 1919 e teve o seu desfecho no ano
seguinte foi desdobramento do que ficara mal resolvido em 1917. Data
também de 1919 o empastelamento do A Plebe pelos alunos da Faculdade
de Direito de São Paulo. Insatisfeitos com os artigos publicados por
este jornal criticando suas posturas ao substituírem os motorneiros
e cobradores de bondes que estavam em greve, partiram para a
destruição, não só da gráfica do jornal, bem como da redação,
localizada em outro ponto da cidade, diante da omissão da polícia
que foi ao local no momento da ação e nada fez para impedir a
depredação.
Em 23 de abril
de 1920 teve início o
Terceiro Congresso Operário Brasileiro, que contou com a ativa
participação de Leuenroth. Neste Congresso foi votado apenas moção
pela criação da Internacional Comunista Soviética, e não adesão dos
operários brasileiros à este órgão. Nomeou-se ainda uma Comissão
Executiva do Terceiro Congresso (CETC), com mandato até o próximo
Congresso Operário Brasileiro, que realizar-se-ia em 1921, para
coordenar as atividades de execução das resoluções tomadas. O Rio de
Janeiro tornou sede do Secretariado-Geral, e Edgard Leuenroth, seu
secretário. Em novembro de 1920, Leuenroth solicitou afastamento de
suas funções para tratamento de saúde. Enquanto era obrigado a
ausentar-se de São Paulo para um repouso médico em Teresópolis,
estado do Rio de Janeiro, aproveitara a ocasião para colaborar com o
jornal A Voz do Povo.
Antes de
regressar de Teresópolis, Edgard Leuenroth passou por Juiz de Fora,
Minas Gerais, onde realizou palestra na Federação Operária Mineira.
De volta à São Paulo, associou-se à Cooperativa Gráfica fundada por
João da Costa Pimenta, que, sem se abater com a dissolução da Voz do
Povo (em fins de 1920), havia iniciado a publicação de outro
periódico anarquista: A Vanguarda. Nesta ocasião, a imprensa
libertária encontrava-se em franco declínio e boa parte dos jornais
lutavam com grandes dificuldades para sobreviver. Com o surgimento
do periódico A Vanguarda, A Plebe viu-se prejudicada em suas
vendagens. Cinco meses depois, viu-se obrigada a reduzir sua
periodicidade. Seguiram-se três meses de silêncio (8).
Em julho de
1921, A Vanguarda noticiou uma série de reuniões dos Amigos de A
Plebe que objetivavam ressuscitar este conhecido periódico
anarquista. O próprio A Vanguarda, nessa época, estava circulando
somente duas vezes por mês. Em dezembro daquele ano A Plebe voltou a
circular.
O fim do ano
de 1920 e o início de 1921 é marcado pelos desentendimentos entre
anarquistas e bolchevistas (comunistas), sendo estes últimos em
grande parte ex-anarquistas que aderiram à Revolução Bolchevique
ocorrida na Rússia. Astrojildo Pereira, que despontava como líder
dos comunistas, atacou duramente os libertários via imprensa,
discordando de seus princípios. Não se tratava apenas de uma
discussão de diferenças ideológicas, mas de uma reavaliação de
postura e identificação políticas. Durante o ano de 1921 houve uma
trégua entre os grupos, quebrada no início de 1922 pelo jornal
carioca Movimento Comunista, que se nomeava porta-voz do grupo
comunista/bolchevista.
Diante dos
debates e das provocações, os anarquistas se pronunciaram e
publicaram no dia 18 de março de 1922, no jornal A Plebe, um
Manifesto contendo suas posições e negando qualquer possibilidade de
revisão de seus princípios e postura política. Nos dias 25, 26 e 27
do corrente, era fundado no Rio de Janeiro o Partido Comunista,
Seção Brasileira da Internacional Comunista. Neste ano, houve
acirramento das discussões entre os dois grupos, os comunistas
almejavam atrair para si o apoio dos operários, historicamente
conquistados pelos anarquistas. Assim, Leuenroth teve várias vezes
sua imagem pessoal atacada na imprensa comunista por Astrojildo
Pereira, ex-anarquista.
No dia 30 de
dezembro, em uma festa organizada com a finalidade de angariar
fundos para o jornal A Plebe, Ricardo Cípolla, jovem discípulo de
Leuenroth, foi assassinado por um outro anarquista, ex-policial,
Indalécio Iglésias. A imprensa, contrária aos anarquistas,
aproveitou para fazer estardalhaço contra os representantes do
movimento. Enquanto isso A Plebe lutava para que em suas páginas as
pessoas tivessem todas as informações relativas ao caso.
Em fins de
janeiro de 1923 ainda abatido com os acontecimentos, Leuenroth
viu-se atacado por Astrojildo Pereira nas páginas do A Nação.
Aproveitando-se de uma falha ocorrida em uma informação dada pelo A
Plebe, Astrojildo tentou golpear os anarquistas dentro do próprio
movimento operário que ajudaram a criar. Pessoalmente atingido,
Leuenroth afastou-se do movimento e da direção do jornal, alegando
problemas de saúde. No final deste mesmo ano, retornou à militância
e às colunas dos jornais. Entre 1924 e 1935 foi redator-secretário
do Romance Jornal; no ano de 1927 colaborou com o jornal clandestino
A Liberdade; no ano de 1935 colaborou com o Ecla, Serviço de
Notícias, e entre 1936 e 1938 foi redator-secretário do periódico
paulista Jornal dos Jornaes, publicações da
Eclectica.
Participou do
Congresso Mundial de Jornalismo no ano de 1926, realizado em
Washington. Na época, Leuenroth trabalhava na Eclectica e foi
encarregado por essa empresa de organizar uma exposição
retrospectiva da
História do Jornalismo no Brasil. Sofreu novas e amargas
críticas do Partido Comunista; acusaram-no de se vender aos
interesses do capitalismo mundial. Leuenroth defendeu-se respondendo
que sua ida aos Estados Unidos fora designação da empresa que
trabalhava e não militância política.
No ano de 1927
o jornal A Nação, em artigo de Astrojildo Pereira declarou O
anarchismo está morto! Os comunistas começavam a ganhar apoio dos
operários, mediante o enfraquecimento do anarquismo e o sucesso da
Revolução Socialista Russa, que à época, apresentava-se como uma
proposta viável de superação do capitalismo. Por ser um período
pré-revolucionário, os anarquistas continuaram com sua militância e
lutando pelos direitos das classes trabalhadoras. Apesar de todos os
desentendimentos entre anarquistas e socialistas, uniram-se para
lutar contra o surgimento do fascismo.
Estabelecida a
Revolução de 1930, o Estado passou a fazer uma vigilância cerrada
sobre todos os movimentos políticos da sociedade. Logo decretou a
ilegalidade do PCB e de outros grupos que não eram favoráveis ao
regime Vargas. No ano de 1933, Leuenroth participou da criação do Centro
de Cultura Social, vinculado ao movimento anarquista; que
pouco tempo depois teve suas atividades paralisadas(9).
De 1937 a 1945 os militantes praticamente silenciaram, em parte
devido à política trabalhista de Vargas que aliciava seu poder da
própria classe trabalhadora e em parte devido à perseguição do novo
regime.
Apesar das
dificuldades, Leuenroth não abandonou a luta. Concentrou seus
esforços no sindicalismo, onde atuou desde 1903. Participou
ativamente da fundação da Associação Paulista de Imprensa no ano de
1933, reunindo logo no primeiro ano de fundação 471 sócios. Sempre
modesto, relatava a sua participação na fundação da entidade como um
funcionário cedido pela Eclética para compor os trabalhos iniciais(10).
À época, participou do Primeiro Congresso de Imprensa do Estado de
São Paulo, onde seria criada oficialmente a API(11).
Dez anos mais tarde, candidataria-se a vice-presidência da API. Em
1934 Edgard Leuenroth foi escolhido para ser um dos diretores
provisórios do Sindicato dos Profissionais de Imprensa do Rio de
Janeiro.
Em 1944 fundou
a Nossa Chácara. Este projeto objetivava manter e veicular o
pensamento anarquista através de reuniões dominicais numa chácara
adquirida pelo esforço conjunto dos operários anarquistas paulistas.
Nesta época, era colaborador do periódico A Noite.
Após o fim da
Era Vargas, respirando os novos ares de liberdade, Leuenroth e os
anarquistas não perderam tempo. Sob o
pseudônimo Frederico Brito, Edgard Leuenroth apresentou extensa
pesquisa, em 1947, sobre a imprensa no Estado de São Paulo ao
Departamento Estadual de Informações, que promovia um concurso sobre
o tema(12).
Os anarquistas realizaram ainda o Congresso Anarquista de São Paulo,
ocorrido nos dias 17, 18 e 19 de dezembro do ano seguinte; à época
considerado uma das primeiras tentativas de reavivar o movimento
anárquico. A este, seguiu-se o Congresso Anarquista Nacional
realizado no Rio de Janeiro, em 1953 e a Conferência Libertária
Nacional, no ano de 1959, em São Paulo.
Em todos estes
anos de militância no anarco-sindicalismo, Leuenroth destacou-se
também por um profundo interesse de preservação da documentação
relativa à história do movimento operário, fazendo parte do seu
currículo profissional os cargos de
arquivista e
bibliotecário, que segundo os testemunhos de seus amigos, era um
notável organizador(13).
Talvez por isso, em 1953, no Quinto Congresso Nacional de
Jornalistas, ocorrido em Curitiba, além de participar da redação
Carta dos Jornalistas, foi nomeado presidente da Comissão de
História da Imprensa. Com 77 anos de idade colaborou na organização
da exposição nacional do Primeiro Centenário da Imprensa de
Campinas. Neste mesmo ano, 1958, participou do Encontro Libertário
ocorrido no Rio de Janeiro, e a convite do Ação Libertária, aceitou
assumir a direção do jornal, em virtude do falecimento de seu amigo
José Oiticica. Este periódico passou a ser impresso em São Paulo.
Concomitantemente, colaborou com o Ação Direta.
Nos últimos
anos de sua vida, dedicou-se ao trabalho de arquivista na sede
paulista da Standard Propaganda, empresa que pertencia à seu irmão
mais novo e sobrinho, com sede no Rio de Janeiro. Já havia
trabalhado nos arquivos do Jornal de São Paulo, Folha de S. Paulo,
Última Hora e O Globo nos anos 50.
Apesar dos
incessantes esforços de Leuenroth, esse que foi cognominado o
gentleman anarquista, o movimento libertário estava em franco
declínio desde os anos trinta e, de certa forma, o Partido
Comunista, na ocasião em ascensão, tornou-se um dos focos de
resistência à ditadura militar.
Descrito
sempre como bem disposto, jovial, organizado e diligente, Leuenroth
morreu em 1968, aos 87 anos de existência; depois de breve
enfermidade, descobriu que tinha câncer hepático(14).
Hoje, a
documentação reunida por este importante militante anarquista
encontra-se no
Arquivo Edgard Leuenroth - Centro de Pesquisa e Documentação
Social, que leva o seu nome. Fundado em 1974, o Arquivo Edgard
Leuenroth à época, propunha-se a preservar e divulgar a memória
operária do Brasil Republicano.
(Pesquisa realizada por Luiz Antonio Vadico em maio de
1996. Revisão realizada por Silvia Rosana Modena Martini, Seção de
Pesquisa do Arquivo Edgard Leuenroth
do Centro de
Pesquisa e Documentação Social do
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual
de Campinas,
em dezembro de 2000 e novembro de 2001).
_________
1 Na bibliografia consultada, existe controvérsias a respeito
da profissão de Waldemar Eugenio Leuenroth. Ver Dulles,
Anarquistas e Comunistas no Brasil e Rodrigues, Os
Companheiros.
De acordo com a documentação cedida pela Família Leuenroth, o pai
era médico e possuía, junto com os irmãos, uma farmácia em Mogi
Guaçu.
2 Amélia de Oliveira Brito Leuenroth pertencia a família do
Visconde de Rio Claro.
3 Há divergências sobre o período de atuação de Edgard
Leuenroth como diretor do Jornal A Lanterna. Nobre, In: Leuenroth –
personagem da história, adota as datas limítrofes de 1906 a 1909;
Rodrigues, In: Os Companheiros, de 1909 a 1915 e Sangirardi
Jr., In: Edgard Leuenroth: o gentleman anarquista, adota o
ano de 1912 como o período inicial de sua atividade neste periódico.
Possivelmente, tal confusão advenha da informação de que Edgard
Leuenroth colaborou neste jornal em dois períodos distintos.
4 Edgar Rodrigues informa a existência de um folheto O
Caso Idalina escrito por Edgard Leuenroth, que conta esta
história.
5 Observações extraídas de sua ficha policial.
6 Sangirardi Jr., op. cit.
7 É importante não confundir este partido comunista com o
posterior, criado em 1922; este, segundo Dulles, era um partido de
tendência anarquista. Explica-se o fato de que os anarquistas
participaram da criação de um partido, contra todas as suas
convicções, pelo grande entusiasmo que a revolução bolchevique
causou, e pela falta de informação que reinava sobre o que estava
acontecendo na Rússia. Logo no entanto, na U. R. S. S., começou o
expurgo dos anarquistas que participaram do movimento, e este
processo refletiu negativamente aqui no Brasil, iniciando a ruptura
entre anarquistas e socialistas de tendência bolchevique.
8 Apesar das constantes interrupções na periodicidade do A
Plebe, Edgard Leuenroth deixou de publicar este periódico somente em
1949.
9 Terminado o período do Estado Novo, o Centro de Cultura
Social foi caracterizado por intensa atividade até o ano de 1968,
quando voltou a sofrer interferência do Estado.
10 “(...) o certo é que os trabalhos iniciais para a fundação
da API foram levadas à cabo na sede da empresa de publicidade
Eclética, então à rua Três de Setembro, 48. Os diretores da empresa,
Eugênio Leuenroth e Júlio Cosi, cederam a sede, ofereceram material
e funcionários para a execução dos trabalhos, entre os quais o Sr.
Edgard Leuenroth, que foi o secretário executivo da Comissão
Provisória.” In: A Organização dos Jornalistas Brasileiros,
p. 114.
11 Outros congressos em que Edgard Leuenroth participou no
exercício de sua profissão, entre as décadas de 1900 a 1950: I
Congresso Brasileiro de Jornalistas, RJ, 1908; I Congresso de
Jornalistas, RJ, 1918; I Congresso Pan-americano de Jornalistas,
Washington, D.C., 1926; I Congresso Paulista de Imprensa, SP, 1933;
I Congresso Nacional de Jornalistas, RJ, 1934; I Congresso Nacional
de Periodistas, RJ, 1938; I Congresso dos Jornalistas Profissionais
do Estado de São Paulo, SP, 1942; IV Congresso Nacional de
Jornalistas, 1951; V Congresso Nacional de Jornalistas, 1954; VII
Congresso Nacional de Jornalistas, 1957; I Congresso da Imprensa do
Interior do Estado de São Paulo, SP; I Congresso Nacional de
Jornalistas, II Congresso Nacional de Jornalistas.
12 Leuenroth participou da imprensa operária e anarquista sob
diversos pseudônimos: Frederico Brito, Routh, Palmiro Leal, Len,
Leão Vermelho, Sifleur, entre outros.
13 Freitas Nobre relata que era proverbial a ordem e o desejo
de organização de Edgard. Conta que nas reuniões anarquistas os seus
companheiros limpavam os cinzeiros e organizavam a sala antes dele
chegar, para que não houvesse “problemas”. In: Nobre, op. cit., p.
19
14 “Ardoroso combatente e trabalhador infatigável, Edgard
Leuenroth adoeceu gravemente aos 87 anos. Queixava-se do fígado e
foi vê-lo o clínico e amigo Eduardo Maffei, um destacado militante
comunista. Seria uma hepatite? Não era. Maffei examinou-o
detidamente, constatou câncer, um câncer hepático e disse-lhe
francamente que deveria tomar as medidas urgentes e necessárias,
pois tinha apenas uns quinze dias de vida. A pedido de Edgard, foi
feito então o seguinte: Maffei disse toda a verdade à família, mas
mentiu que o doente ignorava a gravidade do seu estado. Desprendido
até para morrer”, Sangirardi Jr.
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